O Método Suzuki

Published on March 2017 | Categories: Documents | Downloads: 17 | Comments: 0 | Views: 77
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O Método Suzuki

“Não existe habilidade hereditária, são as condições
adequadas que produzem habilidades superiores. O talento
deve ser desenvolvido através de vivências e de ambiente
musical; ouvir bons discos, ir a concertos e praticar
constantemente”.
Shinichi Suzuki

Se todas as crianças pelo mundo conseguem aprender a se comunicar através
das línguas maternas com certa facilidade apesar da habilidade envolvida para
se ter uma comunicação com sucesso, elas também podem aprender qualquer
outro tipo de habilidade de forma satisfatória desde os primeiros anos de vida,
como por exemplo, a música baseado no processo de estimular a audição,
memorização e execução de “ouvido”. Essa foi uma observação feita por
Shinichi Suzuki em seus estudos para o desenvolvimento do método Suzuki.
Para Suzuki o ambiente ideal de aprendizado precisa ser composto de bons
exemplos e rico em estímulos, semelhante ao ambiente em que a criança
aprende sua língua materna. Os pais são contribuintes diretos na
aprendizagem musical dos filhos, os mesmos agem em sintonia com o
professor, por isso é necessário que além de conhecer o método eles também
participem de forma positiva e ativa nas atividades propostas em aula. O ato de
encorajar, confortar e incentivar o aluno fica por conta desse trabalho em
conjunto dos pais com o professor, sendo assim a criança vai desenvolver
gradualmente a vontade de estudar, o interesse, a persistência e a capacidade
de sanar problemas.
No método Suzuki as aulas são ministradas de forma individual, para que se
possa explorar e desenvolver elementos que exigem mais dificuldade do aluno,
com a participação dos pais para que os mesmos possam dar continuidade em
casa. Também são ministradas aulas em grupo de forma que os alunos
possam se socializar e por em prática o que aprenderam individualmente, cada
um com sua dificuldade, junto com outros colegas. A partir disso é possível ter
um ambiente em que não há competições e sim ajuda entre as crianças, além
de incentivar o respeito a particularidade de cada um criando assim uma esfera
de cooperação e motivação entre elas.

A educação do talento nome dado para designar uma proposta de educação
musical desenvolvida pelo violinista japonês Shinichi Suzuki, e inicialmente
pensada para o ensino e aprendizagem da música (do violino) por crianças, no
contexto japonês. Desde sua criação em 1930, e posterior aplicação fora do
Japão, o método tem sido adaptado parta diversos instrumentos, culturas e
realidades, e vem sendo utilizado em vários países do mundo. Inclusive no
Brasil.
Para Suzuki, o talento não é fruto do acaso, e nem é uma forma de
herança genética, mas sim consequência do estudo sistemático, Suzuki
defendia a ideia de que todas as crianças tem o potencial para aprender, e que
tal potencial pode ser desenvolvido desde que o ambiente ao redor da criança
seja estimulada e a instrução apropriada. Uma outra grande contribuição foi a
utilização de instrumentos em miniatura, posto que instrumentos adaptados a
anatomia infantil eram pouco usuais antes de sua aparição no cenário da
educação musical.
A essência da educação do talento é a formação integral do ser humano,
seguindo uma visão de certo modo distinta daquela que ainda predomina na
educação musical instrumental no ocidente, isto é, uma visão de ensino
baseada no modelo conservatórial, orientada para a formação de
instrumentistas “vistosos”.
Ao observar bebês e crianças, Suzuki percebeu que todas, sem exceção,
aprendiam o seu idioma materno, inclusive os acentos e as particularidades de
dialetos específicos, sem fazer grandes esforços, constatou também que
aprendizagem do idioma materno acontece através da iteração da criança com
os membros de sua família, sobretudo a mãe. Esse fato levou o violinista a
refletir sobre o papel do ambiente familiar e da cultura do desenvolvimento
humano, e a cunhar o termo abordagem da língua materna, que é, hoje , um
sinônimo bastante usado para designar a Educação do talento.
Para Susuki o homem é fruto de seu meio e este o influencia desde o seu
nascimento. Levando-se em conta que as crianças pequenas estão menos
enculturadas, isto é, menos influenciadas pela cultura do que as crianças
maiores e os adultos. Ele cita o caso de Amala e Kamala, duas crianças que
foram supostamente criadas por lobos na Índia e que adquiriram os hábitos de
seus cuidadores, como andar de “quatro”, comer carne crua e caçar entre
outros.
Pelo menos dois elementos constituem as bases filosóficas que deram origem
a Educação do talento. O primeiro é a crença de Suzuki no talento como sendo
um produto cultural, o segundo elemento relaciona-se com as ideias de Suzuki
acerca da democracia e do nacionalismo no contexto japonês da década de
1940, quando o Japão entrava em guerra com os Estados Unidos.

Yoshihara (2007) sugere que, apesar de não ser uma pessoa muito envolvida
em politica, os anos da guerra tiveram um forte impacto sobre Suzuki, e o
ajudaram a reforças suas crenças na abordagem da língua materna. Crítico ao
sistema educacional japonês, com suas características massificadoras e que
de certo modo ajudaram a conduzir o povo japonês á guerra, Suzuki acreditava
piamente no poder de uma educação igualitária e democrática, como a que
propunha com a Educação do talento (Yoshihara, 2007). Além disso, a
abordagem da língua materna também refletia os valores sócios e ideais de
gênero do Japão pós-guerra, o que pode ser evidenciado pela ênfase no papel
da mãe na abordagem original proposta por Suzuki (Yoshihara, 2007).
Suzuki define o desenvolvimento musical através da Educação do talento em
dez passos:
A mãe ensina o filho, dando o exemplo.
A criança repete o aprendido, sempre que tem oportunidade.
A criança ouve
A criança vê a mãe tocando o instrumento
Em tempo, a criança imita a mãe.
A criança desenvolve habilidades físicas e motoras para imitar a mãe.
A criança imita a mãe, usando sua inteligência.
A criança memoriza o que aprendeu.
A criança compreende o significado da aprendizagem
A criança vivencia o significado emocional da peã musical.
Para Suzuki o papel dos pais é fundamental para o desenvolvimento musical
do aluno. Segundo o violinista, “a tarefa mais nobre e importante dos pais é a
educação das crianças. Afinal de contas, as crianças são vidas nova!”. A fim de
criar uma cultura musical em casa e seguir os preceitos da abordagem musical
– das aulas individuais e coletivas á pratica diária em casa; dos ensaios ás
apresentações. Suzuki acredita que a participação dos pais é importante
porque cabe a eles motivar a criança na difícil tarefa da pratica instrumental
diária, que, por sua vez, ajuda a desenvolver na criança a persistência
necessária ao estudo de um instrumento musical. Além disso, segundo O’Neill
(2003), os pais, o aluno e o professor devem desenvolver uma relação triádica,
apoiando-se mutuamente.
Outra característica importante da Suzuki é o papel da coletividade no
desenvolvimento das habilidades e da motivação do aluno. Para que as
crianças se mantenham motivadas, é importante que elas tenham

oportunidades não apenas de assistir a outras crianças tocando, mas também
de tocas com outros alunos. Contudo, como bem ressaltaram Fink (1998) e ,
mas recentemente, Macmillan (2007), as aulas em grupo tem uma função
bastante especifica, e não devem, nunca, substituir as aulas individuais, pois,
através destas, a criança desenvolve suas habilidades musicais e as
compartilha com outras crianças e adultos em aulas e apresentações
coletivas. Além de prazerosas, as aulas e apresentações dão oportunidades
para que as crianças troquem ideias e aprendam, umas com as outras, por
meio da observação, audição e, é claro, imitação, porem de forma não
competitiva. Umas das estratégias amplamente usadas pelos professores
Suzuki é, durante uma aula coletiva ou apresentação, fazer uma revisão do
repertorio aprendido nos métodos, de modo que todas as crianças possam
participar tocando juntos – dos alunos iniciantes aos mais avançados. O
professor pode optar por começas pelo primeiro método ou volume, com todas
as crianças tocando ao mesmo tempo, ou uma de cada vez, enquanto as
outras assistem, desse modo, o professor cria uma espécie de comunidade
musical, em que todos tem uma função – tocar ao assistir.

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